Diário de Bordo 16/06/25

Antes de partimos para Errai, tivemos que dar uma parada na terra para pegar suprimentos, devido ao vírus, a maioria dos alimentos ficou contaminada, uma espécie de fungos formou-se sobre eles, as bebidas também, só tínhamos água e cápsulas de vitamina. O retorno a terra parecia tranqüilo, se não fosse uma frota de piratas terem montado um campo magnético próximo a nossa rota. Rumando em direção a terra, uma potente força nos tira gradativamente da rota, alguns milésimos de graus, alguns segundos depois, uma grande esfera de campo de força podia ser vista e detectada pelos sistemas do barco, a principio tentamos fazer comunicação, pois achamos que fosse alguma espaçonave danificada e iríamos prestar ajuda, mas obtivemos como resposta a intensificação do campo, qualquer nave teria suporte de segurança que travaria seu sistema elétrico, foi então que percebi que se tratava de uma armadilha, piratas do espaço, quando tive contato visual com aquela frota de treze barcos pirata meu sangue congelou, minha cabeça pegou fogo, eu não sabia o que fazer, achei que fosse terminar tudo ali, mas algo inesperado aconteceu, minha irmã colocou os AICs na cabeça, um sistema, por mim desconhecido, dos computadores foi ativado e automaticamente inverteu a polaridade do exterior da Stellarium e a intensificou tanto quanto o campo que nos puxava, eram dois pólos iguais, duas intensidades iguais, ação e reação e a mesma força que nos puxara, agora nos empurrava par longe, os piratas desligaram o campo de força, recolheram o pequeno transformador que criava o campo e mos perseguiram. Com seus canhões de fótons¹ trabalhando a toda, nossa nave foi almejada por feixes luminosos que por sua fez danificam a parte elétrica que qualquer batedeira caseira a uma mega NC² da melhor fabricante que existe no espaço, esses feixes batem na lataria das naves quebrando as ligas moleculares, que praticamente transformam-na em liquido, com essa proteção removida, ela da de cara com o sistema elétrico, dando um curto circuito e fritando, a cada feixe, alguns metros quadrados de fios e circuitos. Não sei quanto tempo esta perseguição durou, mas o campo magnético gerado pelo sistema auxiliar da nossa nave, consumiu muita energia para poder nos defender até percorremos um longo percurso, enquanto éramos perseguidos emitimos sinais de S.O.S e, ao nos aproximarmos do estaleiro², fomos recebidos pela frota da Federação Terrestre, o que fez os piratas recuarem, pois sabiam eles que virariam poeira se confrontassem com aqueles exímios Soldados.
Aportamos quase sem energia, até nem tivemos energia para ligar o sistema de estacionamento e tive que fazer algumas manobras de atracagem manualmente, então descemos à terra.

- A terra já não é mais a mesma de alguns anos atrás, o sol que era para ser nossa dádiva, se transformou em maldição, existem hoje, somente alguns estados, mas, diferente de antes, não existem diferentes nações, há somente o povo da terra, divididos em suas cidades flutuantes, envolvidas por uma gigantesca redoma de vidro que serve como a atmosfera que hoje já não nos protege mais, essa redoma absorve os raios do sol, filtrando-o e transformando o excesso em energia utilizada pelo homem em suas cidades, ainda existem guerras, ainda existem divergências nas diversas religiões, nas diversas etnias, cores e classes sociais, e isso ainda vai destruir toda a raça humana. Seus estilos futurísticos iludem os turistas intergalácticos, mas a sociedade humana sabe muito bem que os problemas que enchem as democráticas províncias de sangue, são problemas quase insolucionáveis e sua ciência não serve para solucionar problemas da sociedade, serve somente para ostentar o capitalismo, que há muitos anos vem sendo a escória da humanidade. -

¹ NC – Nave de Comando (ou Cérebro), conhecidas popularmente como nave mãe.

² Estaleiro – Estações espaciais de abastecimento, carga e descarga.

Diário de Bordo 13/06/25

Recobrei-me um pouco da dor da perda, mais ainda não me acostumara, e irá ser muito difícil tendo passado nem vinte dias da morte dela. Direcionei os espelhos¹ para a estrela mais próxima, o sol, estamos dentro do sistema solar da terra ainda, e rumei até Ankaa sem nenhum problema aparente, a viajem foi tranqüila e minha irmã, como sempre no seu jeito, calada no acento do lado, observando, sem curiosidade, o painel de controle, liso e quase sem botões. Com os Aics² na cabeça, observei pelos monitores e não encontrei nenhum planeta orbitando Ankaa, uma súbita sensação de perda corria a minha mente e se confundia com as lembranças vívidas e joviais da mamãe. Imediatamente, uma forte explosão ocorrera na estrela, mas isso era impossível, se isso ocorresse não sobraria nada de mim nem da mamãe e muito menos da Stellarium, mas aquela explosão era somente a minha mente, uma explosão mental, ou emocional se ficar mais fácil de entender, e minhas lembranças se confundiram ainda mais, luzes ao meu redor, brancas e metamórficas, dançavam e me entorpecia, um êxtase libertino como se o meu fim tivesse chegado, as minhas lembranças ficaram alvas e foram perdendo a nitidez que adquirem na flor de sua criação, como se o tempo passasse muito rapidamente, - quando se é um viajante do espaço, onde o tempo é somente uma referência para não nos perdermos no vasto e infinito buraco de nada que é o universo, não percebemos o quão rápido ele passa até ficarmos mais velhos, sem o sol do alvorecer, o rubor do anoitecer, o tempo não passa de uma invenção humana para cruzar duas linhas de espaço num mesmo tempo, transformando-se num encontro casual ou numa mera coincidência. – e então cai no mesmo lugar de onde não havia saído, a sala de controle do barco³ e tudo La fora estava normal, as estrelas as trevas e a calmaria de um universo equilibrado, mas aqui dentro, junto comigo e com a minha irmã, havia uma figura familiar, uma forma humana prostrava-se diante de nós, observando-nos com a sua barba branca e curta, como a de um adolescente, seu cabelo também branco, não grisalho, branco de natureza, como neve, sua pele alva e nos dava uma sensação paternal e olhando para nós falou:

- Todas as respostas já foram criadas desde o início dos tempos, as perguntas vieram, pois não somos capazes de entender tais respostar por conta própria. Antes que pergunte, eu receio em dizer que as suas respostas não estão aqui, que vieste no lugar errado e que por menos que você me entenda, não conseguirá me entender antes de entender o que tem dentro de você, dentro daquela que te deu a vida, dentro de sua raça. Eu não posso te dizer, pois você sabe mais que eu, onde estão todas as respostas que procura, e queres ajuda para encontrá-la também não terá de ninguém, mas se queres ajuda para entendê-las, digo-lhe que deves procurar Giausar que reside em Boho que orbita a estrela Errai à 107,30 anos luz daqui.

Com um sorriso paterno ele foi embora tão rápido quanto a sua estadia, esvaecendo-se como uma cor de desbota, e sua mensagem ficou confusa em minha mente, assim como tudo o que ocorrera neste dia, o barco ficou a deriva, e o navegador ficou rastreando a procura da estrela e sobre algum rastro de vida que pairasse ao redor da Stellarium, o segundo casso não houve sequer rastros de vidas primitivas como vírus ou bactérias, como se aquela figura jovial fosse somente um feixe de luz, um holograma ou qualquer coisa deste gênero. Mas o programa rastreou a estrela e é para lá a nossa próxima parada, seja esta mensagem um delírio ou não, nada mais está fazendo sentido na minha existência não custa nada tentar.

¹ Espelho - Conhecidas atualmente como placas solares, captam ondas eletromagnéticas emitidas pelos astros luminosos e as transmitem para um transformador de energia.

² Aic - Arco de Interação cerebral, emite as ondas cerebrais aos computadores da nave transformando-os em comandos.

³ Barco - Forma como são chamados as espaçonaves tripuladas.

Diário de Bordo 12/06/25

. Treze dias de angustias se passaram, e a cada dia que passa mais ela se torna traidora, lá fora tudo está tranqüilo, as estrelas brilhando, os planetas girando, o nada ao meu redor continua um nada, oco como a minha mente. A tripulação foi dizimada pelo mesmo vírus que consumiu a minha mãe sem que destruísse o seu corpo sensível e delicado. . Antes que Pallas emudecesse pelo véu gélido da morte ele me dissera: Leve a Stellarium para Ankaa, o olho da fênix, lá reside uma raça capaz de Trazer-nos de volta. . E assim se foi um grande capitão, deixando-me uma nave com corpos encubados em redomas de vidro, como faziam os antigos egípcios, uma civilização a muito extintos, do meu planeta natal, a terra, pra conservá-los inteiros. . Não sei bem como chegar a Ankaa, e muito menos sei o que encontrarei pelo caminho, mas sei muito bem para onde fica a constelação de fênix. . Nesses treze dias que se passaram, a única coisa que eu fiz foi ficar em frente à incubadora olhando para mamãe, sua feição tranqüila como quem morre dormindo, seus olhos fechados com se tivesse sonhando algo maravilhoso, suas mãos juntas sobre o abdômen e uma estranha imagem de asas saindo de suas costas, mas eu sabia que isso não era real, nós, povo da terra, não possuímos asas, mas a sua partida foi real, tão real que por esses treze dias de solidão, apesar de minha irmã ter-me feito companhia todo este tempo, eu ainda não tinha acreditado, ou caído na real de que minha mãe estava realmente morta. . A minha irmã é mais nova que eu cinco anos, ela tem dez anos, chorara a perda de mamãe, mas não tivera a depressão que me fizera emagrecer tanto. Ela só estava com agente faziam dois anos, antes disso, ela ficava com papai em Ôrion, colônia terrestre que ficava em Titan, satélite de Saturno, ele era um cientista aeroespacial, até um acidente terrível tirar Titan de orbita de colidir contra um asteróide. Ela passara férias na casa da vovó, na terra, quando o acidente aconteceu, a mamãe então, resolveu trazê-la conosco.